O Jeitinho Brasileiro no Atendimento: Vilão ou Aliado?
No varejo brasileiro, é comum ouvir frases como “dá pra dar um jeitinho?”, “vê se consegue liberar pra mim” ou “quebra essa pra mim, vai”. O famoso jeitinho brasileiro já virou marca registrada do nosso jeito de ser e, no atendimento, ele pode tanto encantar quanto comprometer a qualidade do serviço.
A questão é: quando o jeitinho vira uma solução criativa e quando se torna um risco para a reputação da empresa?
Quando o jeitinho é um aliado
Em muitos casos, o jeitinho é uma expressão de flexibilidade, simpatia e vontade de ajudar. É o atendente que encontra uma solução para o cliente dentro do que é possível, mesmo com limitações do sistema ou da estrutura.
Exemplos positivos:
- Resolver um pedido com agilidade fora do padrão, sem quebrar regras
- Ajudar um idoso a carregar compras até o carro, mesmo não sendo obrigação
- Fazer uma troca dentro do bom senso, mesmo fora do prazo por poucos dias
- Personalizar o atendimento para acomodar uma necessidade especial do cliente
Nesse contexto, o jeitinho valoriza a experiência do cliente e fortalece a imagem da marca como acolhedora e humana.
Quando o jeitinho vira vilão
O problema surge quando o jeitinho:
- Quebra processos estabelecidos
- Cria precedentes perigosos (“Você fez isso pra ele, tem que fazer pra mim”)
- Gera confusão ou insegurança na equipe
- Prejudica o atendimento dos outros clientes
Imagine um caixa que “dá jeitinho” para passar um produto sem registro, ou um colaborador que libera algo sem autorização do líder. O risco é alto, e a empresa perde o controle do padrão de qualidade.
A diferença está na intenção e no limite
O bom profissional sabe até onde pode ir. Ele busca soluções criativas sem comprometer regras, segurança ou justiça com outros clientes. Isso é diferente de “fazer favores” ou “burlar o sistema”.
Por isso, o jeitinho só é bem-vindo quando vem acompanhado de:
- Bom senso
- Conhecimento das políticas da empresa
- Alinhamento com a liderança
- Compromisso com a reputação da marca
Como lidar com isso na sua loja
Na Escola do Servir, incentivamos as empresas a criar padrões de atendimento que incluam flexibilidade com responsabilidade. O colaborador precisa ter autonomia para resolver, mas também clareza sobre até onde pode ir.
Treinamento, escuta ativa e comunicação clara entre liderança e equipe são essenciais para que o famoso jeitinho seja usado com sabedoria — e sempre a favor do cliente e da empresa.